Corpo Humano X Gordura

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O corpo humano é programado para fabricar gordura. É o mecanismo que o organismo usa para fazer reserva de energia e isso faz parte do nosso sistema ancestral de sobrevivência. Precisamos de gordura embaixo da pele para nos manter aquecidos, de colesterol para fabricar hormônios, para produzir bile utilizada na digestão, para construir e manter as membranas celulares. Durante milênios, os seres humanos estocaram gordura em tempos de fartura para sobreviver quando faltava comida.

Então, na segunda metade do século XX, começamos a engordar. Progressivamente, a epidemia de obesidade tomou conta do mundo.

Enquanto ainda convivemos com crianças severamente desnutridas na África, nos países desenvolvidos as doenças provocadas pela obesidade e sobrepeso constituem a primeira causa de morte.

Como, então, o nosso programa de sobrevivência, que funcionou por milhares de anos, garantindo a evolução da espécie humana, esta nos matando?

A resposta é simples: nas últimas décadas modificamos drasticamente a maneira de comer.

Diferentemente dos homens primitivos, coletores-caçadores que ingeriam unicamente o que conseguiam colher ou caçar, vivendo como nômades em movimento constante a procura de sustento, viramos moradores de grandes urbes, sedentários consumidores de alimentos processados, fornecidos por uma cada vez mais perversa e lucrativa indústria.

Comida barata, produzida em grandes quantidades, com altos teores de energia, escassas propriedades nutricionais; aditivos, como gordura hidrogenada, glutamato monossódico e sal, para fazê-la mais palatável; poucas fibras e soja, muita soja, sob a forma de proteína texturizada, hidrolisada, farelo, óleo, como emulsificante (lecitina). Some-se a isso açúcar, refinado, mascavo, fantasiado de xarope de milho, frutose, farinhas diversas, elaboradas através de processo de refino, que extrai todas as fibras e vitaminas preservando unicamente os açúcares e amidos.

Se analisarmos a composição dos mantimentos que consumimos diariamente, pães, bolos, biscoitos, barras de cereais, embutidos, queijos industrializados, concluiremos que 70% do total da nossa ingestão é constituída por elementos que sequer eram considerados alimentos até a segunda metade do século passado.

Mas a coisa não para por aí. Os animais que consumimos,  especialmente o frango, são alimentados basicamente com rações produzidas a partir de soja modificada geneticamente para ser mais resistente às pragas.

Numa linha de produção, que leva 45 dias do ovo ao abate, os frangos, engordados com ração industrializada, são estimulados com promotores do crescimento e sistematicamente tratados com antibióticos, para evitarem infecções intestinais.

Nos últimos tempos, temos visto anúncios na imprensa e a televisão, colocando em enormes caracteres “frango sem hormônios”. Argumento pífio, baseado na crença popular de que os frangos seriam engordados artificialmente com hormônios. Isso nunca foi verdade. O verdadeiro perigo dos frangos de granja esta em alguns dos antibióticos utilizados. Algumas destas substâncias, como os nitrofuranos, deixariam resíduos comprovadamente cancerígenos.

Merecem menção especial os agrotóxicos, maciçamente usados na produção agrícola,  cujo papel em transtornos metabólicos e na gênese do câncer  ficam mais comprovados cientificamente a cada dia.

Para completar o quadro, substituímos, quase que totalmente, o consumo de água por refrigerantes, ricos em açúcar e substâncias estimulantes e sucos industrializados, de caixinha, contendo 10% da fruta original e grandes quantidades de açúcares, xarope de milho e corantes.

Como qualquer maquina que fosse abastecida com um combustível de qualidade inferior, o organismo se ressente destas mudanças nos hábitos alimentares.

Um metabolismo programado para funcionar com grandes quantidades de frutas frescas, nozes, raízes, folhas, peixes e carne e submetido a esforço físico constante, precisa funcionar agora sentado o dia inteiro frente a um computador, ingerindo doses maciças de amidos e gorduras hidrogenadas, escassa proteína de qualidade e sendo hidratado por líquidos coloridos, doces e gasosos.

Não devemos nos surpreender, então, com os resultados desastrosos: Sobrepeso e celulite desde a adolescência, aos 20 anos, fadiga, irritabilidade, baixa autoestima. Resistência à insulina, que favorece desde cedo o ovário micro policístico, acne, tensão pré-menstrual nas mulheres. Nos homens propicia a aparição de altas taxas de triglicérides e colesterol desde a adolescência, diminuição da massa muscular e alterações na contagem de espermatozoides. Digestão pesada, sensação constante de inchaço e gastrite frequente, constipação, alergias. E pouco mais tarde, aos 35, pele desvitalizada, envelhecimento precoce, falta de libido, cansaço constante e, se houver predisposição, já os primeiros sinais de glicose e colesterol elevado.

Podemos concluir que 85% das doenças modernas são provocadas pela poluição alimentar e por uma nutrição desequilibrada.

Assustador?  O que podemos fazer para reverter o quadro?