Sabemos o que comemos?

Ingredientes
Shot of a beautiful woman in a store looking carefully at a packet of coffee beans

Realmente não! Em parte, porque uns não querem explicar e outros não querem entender. De um lado, algumas pessoas sofrem de “quimiofobia”, que leva a creditar que os alimentos estão tão manipulados que pouco resta da sua natureza original e isto leva ao medo ao efeito de certos aditivos para o nosso corpo e para o meio ambiente.

Do outro lado, lacunas na legislação fazem com que o rotulo dos alimentos seja mais difícil de decifrar que um calendário Maia.

A importância de saber o que colocamos dentro do nosso corpo é evidente e sem informação suficiente não temos elementos para a verdadeira liberdade de escolha. Para ter uma dieta saudável é necessário, além de vontade, dispor de dados claros e verídicos sobre os ingredientes, as caraterísticas e as propriedades de aquilo que comemos.

Para isso precisamos ler adequadamente os rótulos. Estudos revelam que somente 20% dos consumidores lê o s rótulos dos produtos disponíveis nas prateleiras.

Pela legislação vigente os rótulos devem conter:

1) Lista de ingredientes: Devem ser colocados em ordem decrescente, de maior a menor peso, exceto os que contém um único ingrediente e nas bebidas alcoólicas com mais de 1,2% de volume de álcool.

2) Alérgenos: As substancias que comprovadamente tem capacidade de provocar alergias ou intolerâncias como glúten, castanhas, leite etc. devem estar destacados na embalagem. Na legislação brasileira o glúten deve ser colocado em um corpo maior que o restante dos ingredientes.

3) Data de consumo preferente e vencimento: A primeira é o período em que o produto conserva todas as suas propriedades, incluídas as organolépticas (sabor, cor, cheiro e textura). A data de vencimento indica que o seu consumo não é mais seguro.

4) Informação nutricional: Inclui o valor energético (calorias), aportado por porção. Pela legislação brasileira a porção vem definida pelo fabricante. Deve se prestar atenção nos produtos light, alguns deles podem apresentar uma porção menor do que o produto original, fazendo parecer maior a redução calórica do produto. Deve incluir também o percentual do ingrediente das necessidades diárias recomendadas. Isto vem normalmente indicado como %RDA (das siglas em inglês para Recommended Dietary Allowances).  Isto normalmente se refere as necessidades de adultos padrão.

Também deve especificar a quantidade de gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, carboidratos, açúcares (teoricamente os carboidratos menos saudáveis), proteínas e sódio. O conteúdo de vitaminas e minerais pode ser especificado, mas não é obrigatório e sempre que supere 15% das necessidades diárias recomendadas.

Decifrando o código

Carboidratos e açúcares: No rotulo sempre aparecerá o conteúdo total de carboidratos e pode acrescentar “ dos quais… de açúcares”. Os açúcares são sempre carboidratos, mas não ao contrário. O termo açúcar se refere a uma molécula simples, de fácil absorção que aumenta rapidamente os níveis de glicose no sangue e os níveis de insulina, aumentando o risco de diabetes. Infelizmente as regras não são claras neste quesito, aparecendo as vezes somente o conteúdo total de carboidratos, levando à confusão.

Nos ingredientes o açúcar pode ser “camuflado” como carboidratos, xarope de glicose, xarope de milho, frutose, açúcar mascavo, açúcar cristal, mel, melado, glicose, dextrose, maltose e concentrados de frutas, entre outros.

Gorduras: O rótulo deve mostrar o conteúdo total de gorduras, de gorduras saturadas e gordura “trans”. Estas últimas aparecem com frequência na lista de ingredientes com diferentes nomes: Gordura vegetal, Gordura de vegetal de girassol, Gordura vegetal de soja, Gordura de soja parcialmente hidrogenada, Gordura hidrogenada, Gordura hidrogenada de soja, Gordura parcialmente hidrogenada, Gordura parcialmente hidrogenada e/ou interesterificada, Gordura vegetal hidrogenada, Gordura vegetal parcialmente hidrogenada, Margarina vegetal hidrogenada, Óleo de milho hidrogenado, Óleo vegetal de algodão, Soja e palma hidrogenado, Óleo vegetal hidrogenado, Óleo vegetal líquido e hidrogenado, Óleo vegetal parcialmente hidrogenado, Creme vegetal, Margarina, Margarina vegetal.

Também, a legislação criada em 2006, possui uma brecha que permite que a quantidade de gordura trans seja omitida se for inferior a 0,2 gramas por porção.

A gordura trans é usada pela indústria alimentícia para aumentar o sabor e o tempo de conservação dos produtos. Ela é prejudicial à saúde por elevar os níveis de colesterol ruim, a Lipoproteína de Baixa Densidade (em inglês LDL), e diminuir o colesterol bom, a Lipoproteína de Alta Densidade (em inglês HDL).

Aditivos: O grande problema é que eles podem figurar com vários nomes diferentes. O mais comum é que apareçam com um E seguido de um número. Se o número for da série 100, trata se de um corante, se for 200 é um conservante, 300 é antioxidante, espessaste 400, regulador da acidez 500 e potencializador de sabor 600. Em alguns casos podem ser necessários e seguros, mas a maioria, especialmente os realçadores de sabor, induzem ao vicio alimentar, além de estimular a hiperatividade. Alguns corantes têm propriedades comprovadamente cancerígenas.