O jejum intermitente, é passar fome?

Prato Vazio

De forma alguma! O jejum difere totalmente da fome. A fome é a ausência involuntária de alimentos. Não é deliberado nem controlado. O jejum, por outro lado, é a abstenção voluntária de se alimentar por razões espirituais, de saúde ou outras.

A comida está disponível, mas se  escolhe não comer. Isso pode ser por qualquer período de tempo, de algumas horas até dias.

 

O jejum não tem duração padrão. Sempre que não estiver comendo, está jejuando. Por exemplo, pode ser considerado jejum o período de 8 a 10 horas entre o jantar e o café da manhã do dia. Nesse sentido, o jejum pode ser considerado parte da vida cotidiana.

Considere o termo “desjejum”. Isso se refere à refeição que quebra o jejum, o que é feito diariamente. Em vez de ser uma coisa  incomum, a língua portuguesa reconhece implicitamente que o jejum deve ser realizado diariamente, mesmo que seja por uma curta duração.

O jejum não é algo estranho e curioso, mas uma parte da vida cotidiana e normal. Sempre fez parte de rituais de purificação em todas as religiões do planeta. Talvez a mais antiga e mais poderosa intervenção alimentar imaginável. No entanto, nesses tempos de fartura e vicio em comida, esquecemos sua importância e ignoramos seu potencial terapêutico.

 

Como funciona o jejum intermitente

 

Em essência, o jejum simplesmente permite que o corpo queime o excesso de gordura corporal. É importante perceber que isso aconteceu durante toda a evolução dos seres humanos, sem consequências prejudiciais para a saúde. A gordura corporal é apenas  energia da comida que foi armazenada. Se jejuar, o corpo simplesmente “comerá” sua própria gordura para obter energia.

 

Quando comemos, é ingerida  mais energia do que pode ser usada imediatamente. Parte dessa energia deve ser armazenada para uso posterior. A insulina é o principal hormônio envolvido no armazenamento de energia procedente dos alimentos.

A insulina aumenta quando comemos, ajudando a armazenar o excesso de energia de duas formas distintas. Os açúcares podem se ligam em cadeias longas, chamados de glicogênio para ser armazenado no fígado. No entanto, a nossa capacidade de estocar glicogênio é limitada. Uma vez o imite é atingido, o fígado começa a transformar o excesso de glicose em gordura. Este processo é chamado Lipogenesis (que significa literalmente fazer gordura).

 

Algumas dessas gorduras recém-criadas são armazenadas no fígado, mas a maioria é transportada para outros depósitos de gordura no corpo. Embora este seja um processo mais complicado, não há limite para a quantidade de gordura que pode ser criada. Portanto, dois sistemas complementares de armazenamento de energia alimentar existem em nossos corpos. Um é facilmente acessível, mas com espaço de armazenamento limitado (glicogênio), e o outro é mais difícil de acessar, mas tem espaço de armazenamento ilimitado (gordura corporal).

O processo se inverte quando não comemos (jejum). Os níveis de insulina caem, sinalizando o corpo para começar a usar a energia armazenada. A glicemia diminui, então o corpo deve retirar a glicose do estoque  para gerar energia.

 

O glicogênio é a fonte de energia mais acessível. É dividido em moléculas de glicose para fornecer energia para as outras células. Isso pode fornecer energia suficiente para alimentar o corpo por 24-36 horas. Depois disso, o corpo começará a quebrar a gordura por para obter energia.

 

Seu corpo é projetado para transição suave entre dois estados diferentes e opostos: ‘comendo’ e ‘jejuando’.

 

Comendo, a insulina está elevada, e isso indica que seu corpo armazena o excesso de calorias em suas células de gordura. Na presença de insulina, a queima de gordura é interrompida, enquanto o corpo queima glicose (da última refeição).

 

Em jejum, a insulina é baixa (enquanto o glucagon e o hormônio do crescimento, os hormônios antagônicos à insulina estão  elevados). O corpo começa a mobilizar gordura armazenada nos adipócitos células para obter energia.

Na pratica: Só se queima gordura corporal no estado de jejum e só  se armazena mais gordura corporal no estado alimentado. Se comer e jejuar são balanceados então não há ganho de peso real.

Comer constantemente, beliscar, de manha ate de noite, nos faz passar tempo demais no estado “alimentado”. Então, ganharemos peso. Não estaremos dando tempo ao corpo para queimar gordura.

Para restaurar o equilíbrio ou para perder peso, simplesmente precisamos aumentar a quantidade de tempo em que queimamos energia alimentar (jejum). Em essência, o jejum permite que o corpo use sua energia armazenada. Afinal, é para isso que está lá. É importante entender que não ha nada de errado nisso. É assim que nossos corpos são projetados. Isso é o que os cães, os gatos, os leões e os ursos fazem. Isso é o que os humanos fazem.

Se estamos constantemente comendo, (ou comendo de três em três horas como é frequentemente recomendado) o corpo usará a as calorias ingeridas e nunca conseguirá queimar gordura.